TELEMARKETING: UM PESADELO QUE NUNCA ACABA

TELEMARKETING: UM PESADELO QUE NUNCA ACABA

7:30 da manhã, toca o telefone. Independente de quem fosse já fiquei puto. Porra, quem liga as 7:30 da manhã para alguém?

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Essa é a hora que as pessoas normais ainda estão dormindo, ou  no banheiro cagando, escovando os dentes ou no computador lendo as merdas enviadas por e-mail ou ou até mesmo enrolando tomando café…

– BOM DIIIIIIIAAAAAAAA! (Diz a voz de mulher do outro lado da linha)
– Bom dia.
– Quem fala?
– Quer falar com quem?
– Quem fala?
– Quer falar com quem? (Nessa hora já saquei que era merda)
– Ahhhhh, não vai dizer quem tá falando?
– Olha, esse é meu telefone particular, se você tem ele é porque eu te conheço, e não é o caso.
– Meu nome é Tatiane e eu sou do Lar Arco Íris Encantado, e nós somos uma entidade que cuida e dá abrigo a 30 criancinhas que tem AIDS.
– Hum…
– É que nós estamos querendo presentear as crianças com ovos de páscoa e infelizmente nossos recursos não nos possibilitam fazer isso.
– A Páscoa foi mes retrasado, deveria ter pensado nisso antes, não acha?
– É que para eles isso não importa muito, a felicidade de receber esse presente maravilhoso supera tudo. (Hmmmmm… Pensei. Mais uma vigarice por telefone. Vou ver onde isso vai parar)
– Como conseguiu meu telefone?
– Essa informação eu não posso dar.
– Hum… Sei. E onde fica essa entidade?
– Também não posso dar essa informação.
– E por que não? (Nessa altura já estava puto, mas queria ver até onde ia a cara de pau dela)
– Por que não achamos bom que as crianças tenham contato com as pessoas que fazem doações, senão criam um afeto e depois as pessoas não aparecem mais e as crianças ficam sofrendo.
– Mas eu não disse que ia visitar, só quero saber onde fica. Tudo bem, me passa o CNPJ então. Você vai me dar um recibo da doação certo?
– Não tenho essa informação, e não emitimos recibo, pois nossos recursos não dão para isso.
– E como eu faço a doação então? Você vai me passar uma conta bancária?
– Não, o senhor me passa o endereço e nós retiramos o dinheiro aí mesmo.
– Ah sei, então vamos recapitular: Você quer que eu faça uma doação em dinheiro, mas eu não posso saber onde fica a creche, nem o CNPJ, não vai me dar recibo, não vai me dar a conta do banco, não vai me dizer onde conseguiu meu telefone e vai dar ovos de páscoa 2 meses depois da páscoa?
– Isso mesmo. Mas o mais importante é que as criancinhas vão ficar muito felizes com a sua doação, pois para elas qualquer coisa já as alegra, pois são muito doentes e podem morrer a qualquer momento. (Aí já forçou a barra demais)
– Olha aqui, como é seu nome mesmo?
– Cristiane
– Não era Tatiane? Olha aqui, eu tenho identificador de chamada e vou mandar a polícia aí na tua casa ô sua puta!
– Tuuu… Tuuu… Tuuu… (Bateu o telefone na minha cara, a vagabunda)

É foda, já não chega eu ter que ficar me preocupando se algum filho da puta vai me assaltar no sinal, tentar surrupiar minha carteira no caixa eletrônico ou fazer um sequestro relâmpago, agora tenho que aguentar uma piranha tentando me roubar por telefone, e ainda por cima segundona feira, eu cheio de ressaca as 8 da manhã, assim não dá. E o pior é que recebo essas merdas de ligações direto, em casa e até no celular! É o spam por telefone! Caralho!

Além dos pedidos de doação para entidades fajutas, as mais comuns são aquelas em que liga alguém dizendo que você foi sorteado pra ganhar um cartão que dá descontos desde o buteco da esquina, restaurante, cinema, viagens, até pra fuder as vagabundas da Vila Mimosa. Aí quando você consegue abrir uma brecha pra falar, pergunta se vai ter que pagar alguma coisa e a resposta é sempre a mesma:

– É totalmente gratuito, e ainda ganha a assinatura do jornal por 2 semanas.
– Tá bom, então pode mandar.
– Para receber o cartão o senhor apenas deve pagar uma pequena taxa de manutenção.
– Mas não era de graça? E quanto é?
– É gratuito, o senhor não paga a assinatura do cartão, apenas a taxa administrativa que é de 50 reais por trimestre.
– Ah entendi. Então enfia esse cartão no seu cu. E o jornal também.

E quando mais se precisa dessas “Operadoras de telemarketing”, é praticamente impossível falar, pois só atendem as máquinas falando: Se tem dúvidas sobre sua conta bancária disque 1, se quiser informações sobre cartões de crédito disque 2, se quiser ser feito de otário por mais 20 minutos disque 3…e por aí vai. Geralmente a opção para falar com o atendente é sempre a última, e quando consegue falar com ele o cara te faz dizer a sua vida toda antes de ouvir a sua pergunta.E quando você reclama da merda do serviço a resposta é sempre a mesma: Agradecemos o contato, todas as críticas, elogios e sugestões dos nossos clientes são extremamente valiosas, porque contribuem, de forma eficiente, para que, cada vez mais, nos empenhemos no fornecimento de um atendimento de qualidade. (Leia-se:Ok seu otário, estou cagando e andando pra sua reclamação)

A respostinha mecânica de sempre, que serve pra qualquer pergunta, o que mostra que até um macaco poderia fazer aquilo. As vezes até fico com remorso de xingar esses caras porque devem receber pouco mais que um salário mínimo pra encher o nosso saco diariamente, mas foda-se, não tenho nada a ver com isso, só quero que parem de me encher o saco! Caralho!

22/04/2018

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