AFINAL DE CONTAS, PARA ONDE NÓS VAMOS QUANDO MORREMOS?

AFINAL DE CONTAS, PARA ONDE NÓS VAMOS QUANDO MORREMOS?

Para onde vamos quando morremos? A verdade é que ninguém tem certeza, mas as religiões oferecem um cardápio bem variado de opções: Umas te oferecem a vida eterna, nas nuvens, flanando e vadiando entre anjos, arcanjos, serafins e querubins. Outras te oferecem o paraíso com lindas e jovens virgens prontas para serem defloradas e saboreadas. Outras ainda oferecem a reencarnação, na Terra, outro planeta, ou até mesmo na galáxia que você quiser.

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As opções são mirabolantes e bem interessantes. Aqui vou listar o que as 12 principais doutrinas oferecem. Faça a sua escolha.

Eu particularmente achei muuuuuuuito bacana o lance das virgens. Confira:


1) Espiritismo

Os espíritas partem de sete princípios básicos: existência de Deus, existência do espírito, imortalidade da alma, evolução (lei do progresso), reencarnação, pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade. Os espíritas acreditam que Deus não tenha criado as pessoas boas ou más. Deus criou os espíritos simples e ignorantes, sem discernimento do bem e do mal. Para eles, quem constrói o céu e o inferno é o próprio homem. Assim, o conceito de “inferno” e “céu” não existe, sendo uma alegoria do próprio estado moral do espírito.

No espiritismo, não existe o maniqueísmo entre o bem e o mal. Acredita-se que o espírito esteja em constante evolução. Mesmo no paraíso, o espírito trabalha para o seu aperfeiçoamento moral. Segundo a Doutrina Espírita de Allan Kardec, só existe a morte do corpo físico, enquanto o espírito imortal retorna a sua verdadeira vida, que é a vida espiritual. As almas dos mortos se ligam umas às outras, em famílias espirituais, em razão da sintonia de gostos e preferências ou tendências comportamentais, ligadas pela afinidade.

Conseqüentemente, os lugares onde vivem possuem de níveis vibratórios diferentes e cada um será mais infeliz e sofredor, ou mais feliz e pleno, conforme o resultado de suas atividades anteriores. “O espiritismo é uma doutrina que nos dá a consciência da nossa responsabilidade nesta vida presente para a construção da vida futura como espíritos imortais”, afirma a professora do curso básico de espiritismo, Marcia Zaninotti. “A doutrina espírita acaba com o conceito da morte como algo mórbido e finito, a partir do momento que a encara como processo de renovação e reconstrução para uma outra etapa.”


2) Igreja Evangélica

A Bíblia diz que o homem é imarcescível (nunca se extingue) e, portanto, continua a existir sempre, em algum estado. A morte significa separação entre o corpo, que volta à Terra, e a alma e o espírito, que retornam a Deus. Mais tarde, espera-se pela ressurreição, ou seja, a união outra vez entre alma e espírito com um corpo, não mais o mesmo e corruptível corpo, que havia sido formado do pó da terra, mas agora um corpo glorioso, semelhante ao que Cristo recebeu ao ressuscitar. “Quem tem o filho, tem a vida; quem não tem o filho de Deus, não tem a vida” (Iº Jo. 5: 12).

De acordo com o apóstolo Arles Marques, presidente da Comunhão Cristã nos Jardins, os homens que morrem sem Jesus Cristo como seu Deus vão para o hades (lugar de tormento), onde aguardarão o dia da ressureição. “Eles também receberão um corpo especial para passar a eternidade no lago de fogo e enxofre, reservado aos que não acreditaram na verdade, mas aceitaram e viveram na mentira”, explica.

Por outro lado, os homens que morreram com Cristo, conforme a Bíblia, dormirão e despertarão para a ressureição da vida. A alma e o espírito, que estão com Deus, recebem o corpo glorificado para reinarem com Cristo pela eternidade. Nesse contexto, o paraíso é o Reino de Deus, a Nova Jerusalém, Novos Céus e a Nova Terra, lugares de habitação dos Filhos de Deus (todos aqueles que receberam Jesus como Deus). Já o inferno é o lago que arde com fogo e enxofre, um lugar de tormento eterno para o Diabo, o Anti-Cristo, o Falso-Profeta, e seus seguidores (aqueles que crêem e praticam a mentira).

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3) Budismo

Na visão Budista, a vida e a morte são elementos de extrema importância para o questionamento da existência. De acordo com o Livro Tibetano da Morte, existem 49 etapas, ou 49 dias, após a morte. Os monges oram para que as pessoas atinjam a Terra Pura – lugar de paz, tranqüilidade e sabedoria iluminada – ou renasçam em níveis superiores. Cada renascimento depende do carma (ações que deixam marcas) de cada um. Conforme o carma, as pessoas podem renascer em seis mundos distintos (Roda do Samsara): reinos celestiais, reinos humanos, reinos animais, espíritos guerreiros, espíritos insaciáveis e reinos infernais. Segundo a Monja Coen, da Comunidade Zen Budista, em qualquer um destes estágios as pessoas estão sujeitas a transformações. “Por exemplo, se você faz alguma coisa errada e se arrepende, seu carma muda”, explica. “Assim, nada nasce e nada morre, porque estamos sempre em constante transformação. A morte representa apenas uma mudança de causas e condições.”


4) Wicca

Dentro da bruxaria wiccaniana, a morte não é o fim, mas um evento natural. Tudo o que existe no universo passa pelo seguinte ciclo: nascimento, vida, morte e renascimento. O homem não é exceção. Ele é tão importante quanto qualquer outro animal, planta, estrela ou pedra. “Acreditamos em um retorno cíclico sem castigos ou recompensas. Os deuses desejam que nós vivamos a vida com alegria, seja aqui e agora ou em uma próxima vida”, afirma a sacerdotisa wiccaniana da Tradição Diânica do Brasil, Mavesper Ceridwen.

Todo wiccaniano acredita que quando alguém morre, volta para o ventre da Deusa, o grande caldeirão de renascimento. A morte seria um momento sagrado, onde a própria deusa entra em ação para dar continuidade ao ciclo. As correntes wiccanianas se diferenciam justamente na questão de como se processa este renascimento. Quem tem mais influência na mitologia celta acredita no Summerland (País do Verão), um lugar de flores, relvas, colinas e árvores. Outra corrente de pensamento crê que as pessoas retornem à vida no corpo de descendentes da família. Existe ainda uma terceira corrente que acredita que o homem possa renascer como parte de algum animal, vegetal, estrela ou qualquer outra coisa existente no universo.

A celebração da morte (Requiem) é uma festividade onde são lembradas todas as coisas boas que a pessoa trouxe para o convívio. Nesta ocasião, os amigos dançam e escutam as músicas preferidas do morto e comem seu prato preferido. As roupas e os mantos utilizados no luto são brancos porque a deusa da face pálida é a senhora da morte e, nos mitos celtas, esta cor representa “o outro mundo”.

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5) Hinduísmo

O hinduísmo engloba algumas das mais antigas crenças religiosas. A visão hindu de vida após a morte é centrada na idéia de reencarnação. Os hindus mantêm muitas crenças distintas, mas todas são baseadas na idéia de que a vida na Terra é parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos. Toda pessoa renasce – ou reencarna – cada vez que morre. Contudo, se levar uma vida voltada para o bem, a pessoa pode libertar-se desse ciclo.

No segundo capítulo do Bhagavad-Gita, escritura sagrada hindu, Krishna (o Senhor Supremo) explica a Arjuna (seu amigo e discípulo) sobre a existência eterna da alma e a temporariedade do corpo. Enquanto a alma habitar em um dos 14 Bhuvanas (níveis planetários habitados pela alma dentro da existência material, de acordo com seu nível de consciência), ela estará sujeita às constantes transições de corpos, chamados de nascimentos e mortes.

O nascimento e a morte seriam uma mudança de cenário para a alma. Morremos ali para renascermos aqui. A alma nunca sofre mudança. Apenas a roupa que ela está usando (o escafandro) é quem morre e, após a morte, ela aceita um novo corpo para habitar em algum rincão desta existência material.

Quando a alma, após muitos nascimentos dentro desta existência material, entra em contato com um santo verdadeiro (Sad-Guru), ela pode desenvolver fé no caminho da auto-realização e começar seu retorno ao verdadeiro lar: o mundo transcendental de Deus, onde inexistem nascimentos e mortes. Lá, a alma poderá viver em plena bem-aventurança, conhecimento e eternidade. Este plano se chama Vaikuntha e as almas que ali alcançam podem viver seu relacionamento amoroso eterno com o Senhor Supremo em plenitude.


6) Religião Muçulmana ou Islamismo

A comunidade islâmica se divide em duas correntes principais: os Sunitas e os Xiitas. Os mulçumanos acreditam que esta vida é uma provação para chegar ao reino de Deus.

“A morte é uma passagem do mundo para a eternidade. Quando a pessoa morre, começa o primeiro dia da eternidade. O ser humano é um servo do criador e, ao morrer, sua alma fica aguardando o dia da ressureição (juízo final) para ser julgado pelo criador”, diz o Sheik Ali Hussein Saleh, da Federação das Entidades Muçulmanas do Brasil.

O islamismo aceita e aprova a existência do inferno para almas “desobedientes”, que foram desviadas por Satanás. Por outro lado, acredita que o paraíso seja um lugar para onde vão as almas que obedeceram e seguiram a mensagem de Alah e as tradições dos profetas – entre eles, os cinco principais: Noé, Abrão, Moisés, Jesus filho de Maria e Mohammed -, de acordo com sua época.

O Alcorão, livro sagrado, possui versículos com parábolas que descrevem o paraíso e o inferno. O paraíso é a morada final de todas as almas seguidoras da verdadeira mensagem. É um lugar com rios de leite, córregos de mel ou outras belezas jamais vistas por um ser humano, sendo descrito como “o domicílio final da paz”. Já o inferno é um lugar preto com fogo ardente, onde as pessoas são castigadas permanentemente.

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7) Igreja Batista

Para o pastor da Igreja Batista Regular, Pier Luigi Roberto, a morte representa a descrença do ser humano com relação às boas intenções de Deus e significa basicamente separação: morte física é a separação da alma do corpo físico, e morte espiritual é a separação da pessoa de Deus.

O que acontece com as pessoas após a morte está ligado à morte espiritual. Por não confiar em Deus, a raça humana foi privada de se relacionar de forma intima e pessoal com seu criador (Deus). Mas Ele oferece ao homem a oportunidade de mudar o seu futuro através de Jesus Cristo.

Para os batistas, o Paraíso é caracterizado por uma vida de paz e felicidade. É um local onde as pessoas podem viver eternamente após a morte física, caso passem a confiar no plano de Deus, que se chama Jesus Cristo, para herdar o céu ou paraíso.

Inferno é o resultado final da morte espiritual. É caracterizado por uma de vida de angústia, sofrimento, dor, tormentos; um lugar onde as pessoas viverão eternamente caso não creiam em Jesus Cristo.


8) Catolicismo

Os cristãos acreditam que após a morte há a ressureição. Deus ressuscita o homem na morte e a vida continua. “A religião cristã mostra a existência de vida após a morte. Se Jesus ressuscitou, temos uma prova que também iremos ressuscitar”, afirma o professor titular da Pontifícia Faculdade de Teologia de São Paulo, Renold Blank.

A vida terrena, então, passa a ser compreendida como preparação para o primeiro encontro com Deus na ressureição, momento em que a pessoa se confronta com os critérios estabelecidos por Ele: vida, amor, fraternidade, justiça, paz, solidariedade e verdade.

No fim da vida, ao se encontrar com Deus, o homem vê em que medida viveu conforme estes critérios. A tomada de consciência da pessoa junto a Deus na morte é que se chama juízo.

Conforme o resultado da comparação, a pessoa percebe se correspondeu ou não aos mandamentos divinos. Na morte, Deus oferece a oportunidade de uma última evolução da personalidade. Esta última evolução na morte se chama purgatório, que não é um lugar, e sim, uma experiência existencial da pessoa.

Nesta experiência, a pessoa precisa adaptar sua personalidade aos critérios de Deus (vida, amor, paz etc.). E, com isso, torna-se capaz de começar uma nova maneira de existir, chamada de Céu. O Céu é uma vida em plenitude onde todas as potencialidades do ser humano foram realizadas. A pessoa vive em comunhão e participação com todos os outros seres humanos e, também, com Deus. Se pessoa rejeitar a oferta de uma última evolução, permanece em uma situação de morte, o inferno.

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9) Hare Krishna

O fundador do Movimento Hare Krishna, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, diz que “a vida não vem da matéria”. A matéria transforma-se em seis fases: nascimento, crescimento, manutenção, reprodução, degeneração e morte. Mas a “alma espiritual” é eterna e não passa por tais mudanças. O corpo material passa por cada uma dessas seis fases até que não possa mais ser mantido. Então morre, e a alma entra num outro corpo.

Os Hare Krishna acreditam que nós não somos esses corpos, mas almas espirituais eternas. No Bhagavad-gita (2.13) a Suprema Personalidade de Deus, Krishna, explica: “Assim como a alma corporificada passa continuamente neste corpo, da infância à juventude e à velhice, da mesma forma, a alma passa para outro corpo na hora da morte. A alma auto-realizada não é confundida por tal mudança”.

Através de pensamentos e ações, o homem prepara seu próximo corpo, que pode ser superior ou inferior. Esta é a Lei do Carma. Objetivamente, quem pratica boas ações obterá bons frutos, reações positivas. Por outro lado, quem pratica más ações acumulará Carma negativo. O homem é responsável pelas coisas boas e más que acontecem com ele. As ações e condições mentais na hora da morte são a base do próximo nascimento e determinarão o próximo corpo. De acordo com as atividades do ser humano e a lei do Carma pode-se nascer em planetas superiores ou inferiores.

A prática da consciência de Krishna, ou bhakti-yoga, serviço devocional ao Senhor Supremo Sri Krishna, leva à liberação, a um estágio aonde a alma se libera dos repetidos nascimentos e mortes e volta à morada de Deus. Para os Hare Krishna, o processo mais simples para se alcançar o estágio de liberação é através do cântico de mantras sagrados (som transcendental).

A vida não começa com o nascimento, nem termina com a morte. A morte nada mais é que a destruição do corpo material, contudo, a alma espiritual, parte e parcela de Deus que habita esse corpo é imortal, indestrutível. Existe vida após a morte.


10) Candomblé

Os cultos afro-brasileiros acreditam que os mistérios da vida e da morte são regidos por uma Lei Maior, uma força divina que dá o equilíbrio divino ou eterno. O Candomblé trabalha com a força da natureza existente entre terra (Aìyê) e o céu (Òrun).

O Candomblé acredita na vida após a morte, através da divinização e culto do humano, que alcança uma dimensão ancestral. “Não existe a morte. A morte é uma passagem, uma transformação e elevação espiritual. Nós cultuamos a tradição, culto e cultura dos orixás e antepassados para conseguir o equilíbrio de vida aqui na terra”, diz Mãe Sylvia de Oxalá, da Tradição Culto e Cultura dos Orixás.

Segundo o teólogo Francisco Ngunzetala, estudioso da religiosidade afro-brasileira, o objetivo do homem na Terra, de acordo com a concepção do candomblé, é realizar seu destino de maneira completa e satisfatória. “Quando isto acontece, ele está pronto para a morte e, após os rituais fúnebres, se transforma em um ancestral coletivo, digno de veneração e respeito, ou seja, eterno”, afirma. Ao cumprir seu destino na Terra, o ser humano pode ser divinizado. Seu espírito será encaminhado ao Òrun, para uma dimensão reservada aos seres ancestrais. Eles podem até ser cultuados na comunidade onde viviam.

Caso o destino não seja cumprido, os espíritos ficarão vagando entre os espaços do Òrun e Aìyê (céu e terra), onde podem influenciar negativamente os mortais. As pessoas que sofrem estas influências negativas dos mortos (Eguns/Vumbes) precisam passar pelos Ebós (rituais de limpeza espiritual) para reencontrar o equilíbrio. De outro lado, estes espíritos estão sujeitos à reencarnação, pois não se realizaram plenamente.

Assim, não existe uma concepção de céu ou inferno, nem de punição eterna. Quem não alcançou a posição de um ancestral, não foi porque uma divindade o puniu, mas pelo simples fato de que ele não cumpriu o seu destino, não se realizou plenamente como um ser consciente e eterno. Porém, poderá se realizar em outras oportunidades.

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11) Umbanda

A Umbanda (ou Aumbandhan) explica o universo através de sete linhas, regidas por Orixás. A matéria é um dos caminhos de evolução que o espírito tem para trilhar e realizar-se conscientemente. Portanto, o nascimento e a morte são partes de um mesmo projeto evolutivo e estão sujeitos à lei de causa e efeito (Carma). Sendo assim, a morte é vista a partir do ciclo evolutivo, sendo a reencarnação a base desta evolução.

Como não existe um “código” único ou um “livro sagrado”, a maioria dos umbandistas se considera católico-cristão. Nesse sentido, eles até admitem o céu ou o inferno dos cristãos, embora seus mentores espirituais e guias falem sempre na reencarnação e no Carma.

Os umbandistas vêem Cristo como um dos tutores deste planeta na linha evolutiva, juntamente com várias outras entidades divinas e ancestrais, como por exemplo os Orixás.

Ao morrer, a pessoa será atraída pelos diversos mundos espirituais, que podem até estar próximos ao mundo material. Os espíritos bons podem se tornar protetores, enquanto os maus podem virar perturbadores (espíritos de pouca evolução, devido às poucas encarnações).

Dentro desta crença, o objetivo maior do nascimento e da morte é a harmonização e a evolução consciente do ser espiritual. Assim, a Umbanda sofre influências de preceitos ligados ao cristianismo, ao espiritismo e aos cultos afros e orientais. Os mortos (desencarnados, espíritos) podem ser contatados, ensinados, ajudados, agradados, desagradados ou afastados.


12) Judaísmo

O judaísmo vislumbra a sobrevivência da alma, mas não oferece um retrato claro da vida após a morte. Até hoje os rabinos antigos e contemporâneos apresentaram poucas discussões sobre a natureza do mundo vindouro.

De acordo com o Rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista, o judaísmo não encara a morte como o fim da existência, mas sim como uma parte natural e lógica da vida. Não é uma extinção, mas uma transformação. “O homem morre e é enterrado, mas seu espírito permanece eternamente vivo nos pensamentos e nos atos dos que ficam”, afirma.

A crença judaica na imortalidade da alma se reflete no próprio vocabulário. O cemitério é chamado em hebraico de Beit Há´Chayim, “Casa da Vida”. O Kadish, a oração tradicional, não menciona a morte; glorifica o “Criador da Vida”. “Em face da perda de um ente querido, exaltamos o Deus que nos presenteou com aquela vida e reafirmamos nossa profunda fé nos desígnios divinos, que estão além da compreensão humana”, diz Henry Sobel.

A idéia de vida após morte não é uma afirmação. O judaísmo é uma religião que permite múltiplas interpretações. “Para os judeus ortodoxos, a noção de vida após a morte é uma declaração da crença na vinda de Messias, que ressuscitará fisicamente os mortos. Para os judeus liberais, por outro lado, a idéia é mais figurativa do que literal: existe a terra dos vivos e existe a terra dos mortos. A ponte entre elas é a recordação”, afirma Sobel.

Já o rabino da Congregação Shalom de São Paulo, Adrián Gottfried, explica que algumas correntes mais místicas do judaísmo chegam a acreditar no conceito de reencarnação, enquanto outras, mais racionais, não vêem com bons olhos. “A discrepância está no fato dos mais místicos acreditarem que exista algum tipo de continuidade física”, diz. A tradição judaica também oferece uma forma alternativa de renascimento: ressureição dos mortos. Enquanto a reencarnação representa o retorno da alma para um novo corpo, a ressurreição é definida como o retorno da alma ao corpo original.

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Além disso, conforme Gottfried, o judaísmo apresenta sete estágios místicos da jornada da alma:

1 – O processo da morte:
Quando a alma deixa o corpo, se encontra com uma luz radiante, que é chamada de Shechiná, ou a presença feminina divina, segundo os escritos místicos. Se o homem for um justo, transpassa e se apega à Shechiná. Mas se não for, a Shechiná parte e a alma é deixada para trás, lamentando a sua separação do corpo. Antes que a alma possa se mexer, entretanto, o indivíduo deve olhar para trás para rever a sua vida.

2 – Separação do corpo físico:
A separação do corpo físico cria confusão para a alma. É uma fase de transição onde a alma lamenta a perda e quer retornar ao corpo.

3 – Purificação emocional:
Após a morte, há um intenso encontro com as conseqüências da escuridão e desonra, que representam emoções negativas não resolvidas. De acordo com o Zohar (livro de mística judaica), o encontro com Guehenom (inferno, em Hebraico) permite a limpeza, através da catarse, descarga, e purificação da alma.

4 – Conclusão final da personalidade:
Uma vez que o consciente daquele que partiu é purificado das emoções negativas, a alma passa simultaneamente por duas transformações. Primeiro, a alma vivencia uma felicidade emocional, e depois completa sua personalidade, estando preparada para entrar no mundo do infinito, o Divino.

5 – Repouso celestial da alma:
No Jardim do Éden (Paraíso), a alma encontra o repouso celestial. Uma maior evolução acontece neste reino, que permite a movimentação entre “os sete céus” ou degraus de escalada na proximidade do Divino.

6 – Retorno à fonte:
No Jardim do Éden superior, os níveis superiores da alma, a chaia ou iechidá (dimensões universais que são extensões diretas de Deus), se libertam dos aspectos inferiores da alma e são capazes de vivenciar a alegria da presença de Deus.

7 – Preparação para o renascimento:
O Judaísmo fala de reencarnação – em Hebraico, guilgulei neshamot, que é traduzido como “a rotação das almas” (de corpo em corpo). Um texto medieval intitulado Seder Ietzirat Ha-Vlad, “A Criação do Embrião”, oferece a imagem de uma apresentação prévia da vida como uma preparação para o renascimento, que se tornou uma lenda judaica popular.

Entre manhã e noite o anjo carrega a alma por aí e lhe mostra onde ela viverá e onde ela morrerá, e o lugar onde ela será enterrada, e o anjo a leva por todo o mundo, e lhe mostra os justos e os pecadores e todas as coisas. À noite ele a recoloca no ventre da mãe, e lá ela permanece por nove meses…

Finalmente, chega a hora em que a alma deve entrar no mundo. É relutante partir; mas o anjo toca o bebê no nariz, apaga a luz em cima da cabeça, e o manda para o mundo. Instantaneamente, a alma esquece tudo o que ela viu e aprendeu, e entra no mundo chorando porque acabou de perder um lugar de proteção, descanso e segurança.

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12/09/2017

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