GRANDES EMPRESAS QUE ESTÃO FECHANDO SUAS LOJAS OU ABANDONANDO DE VEZ O BRASIL

Publicidade

Desde que o país entrou em recessão no início de 2014, diversas empresas multinacionais resolveram fechar as portas ou vender suas operações. Os grupos estrangeiros perceberam que não seria possível expandir suas operações localmente e que os resultados negativos das filiais brasileiras começariam a impactar o desempenho global das empresas.

A justificativa para o fraco desempenho no Brasil foi ancorada, na grande maioria das vezes, pela crise econômica. Com a demanda em baixa e o crédito caro, as vendas dos produtos de algumas multinacionais, como Fnac, Nintendo e Geely Motors, despencaram nos últimos dois anos.

Mas muitas companhias também perderam espaço no mercado brasileiro, pois adotaram estratégias insuficientes para bater a concorrência nacional. É o caso dos bancos HSBC e Citibank, da companhia de energia Duke Energy e da cervejaria Kirin.


Fnac

A Fnac anunciou nesta semana que pode deixar o Brasil. A companhia francesa está em busca de um parceiro que dê continuidade à marca no país. A prospecção desse novo parceiro deve demorar de um a dois anos e, caso a busca não seja bem sucedida, a empresa pode vir a se retirar completamente do Brasil.

A informação veio a público após a multinacional divulgar no seu balanço financeiro do quarto trimestre de 2016 que a operação da subsidiária brasileira seria “descontinuada”. A decisão foi baseada no fato de a Fnac não ter conseguido tornar a filial brasileira relevante.

No Brasil, a Fnac possui apenas 12 lojas que, juntas, respondem por menos de 2% do volume total de vendas do grupo. A empresa está no país há quase 20 anos e faturou cerca de R$ 400 milhões em 2016.


HSBC

O HSBC deixou o Brasil oficialmente no ano passado, após finalizar a transição das suas operações no país para o Bradesco. O banco brasileiro comprou as operações do grupo britânico por R$ 16 bilhões e assumiu todas as agências bancárias, centros administrativos e o HSBC Global Technology (GLT) – empresa de software do grupo. Também herdou quase sete mil funcionários.

O banco britânico anunciou que deixaria o Brasil em 2015, como parte de um plano de reestruturação da instituição financeira no mundo devido ao escândalo de fraude fiscal conhecido como “SwissLeaks”. Na época, a companhia afirmou que precisaria multiplicar o total de ativos por seis para se tornar um dos três maiores banco do país. Como isso não seria possível, decidiu focar em mercados emergentes da Ásia.

Publicidade

Kirin

A cervejaria holandesa Heineken comprou no início deste mês a filial brasileira do grupo japonês de bebidas Kirin por R$ 2,3 bilhões. A companhia japonesa anunciou que venderia as suas operações no Brasil após a filial brasileira ser responsável por causar o primeiro prejuízo global da história da empresa.

Em um comunicado à imprensa, a Kirin foi taxativa ao dizer que sairia do Brasil por causa da crise. “Levandoem conta os riscos associados à economia brasileira e à situação da concorrência em um mercado estancado, a Kirin chegou à conclusão de que seria difícil transformar a Brasil Kirin em uma atividade rentável.”


Accessorize

A grife inglesa de bijuterias e acessórios encerrou as operações no Brasil no fim de 2016. A empresa inaugurou a sua primeira loja no país em 2002 e chegou a ter 32 unidades, sendo duas em Curitiba. Mas, devido à crise econômica, viu suas vendas minguarem e nem tentou passar suas operações para outro investidor.

A marca chegou a receber ações de despejo por falta de pagamento dos imóveis alugados. Também foi acionada na Justiça por credores e trabalhadores que reivindicavam dívidas em aberto.

Publicidade

Citi

Além do HSBC, mais um banco internacional foi afetado pela crise. O banco americano Citibank colocou à venda sua operação de varejo no Brasil no início do ano passado e, poucos meses depois, foi adquirido pelo Itaú por R$ 710 milhões.

O grupo americano resolveu em 2014 que iria sair do Brasil, pois o país não tinha desempenho relevante nas operações de todo o Citigroup. Na época, o banco era apenas o 11.ª na lista de maiores instituições financeiras com atuação no Brasil.

O Citi deixou 71 agências e cerca de 315 mil correntistas, com R$ 35 bilhões em depósitos e ativos sob gestão para o Itaú. O banco brasileiro também assumiu uma base de 1,1 milhão de clientes de crédito e uma carteira de empréstimos de R$ 6 bilhões.


Geely Motors

Dois anos depois de ter entrado no Brasil, a chinesa Geely Motors foi embora. A empresa chegou a abrir 15 concessionárias no país, sendo uma em Curitiba, e tinha a expectativa de operar 25 lojas já no primeiro ano de operação. O grupo automotivo não conseguiu ter o desempenho esperado e pouco incomodou as fabricantes de automóveis que atuavam no Brasil.

Em um comunicado à imprensa em abril de 2016, a Geely informou que a saída era temporária e que poderia retornar quando a situação econômica brasileira melhorasse. Até o momento, o retornou não aconteceu.

Publicidade

Duke Energy

Outra empresa americana que abandonou o Brasil durante a crise foi a Duke Energy. A empresa passou cerca de 2 gigawatts em hidrelétricas para a elétrica chinesa Three Gorges Corporation (TGC). A operação de venda foi concretizada em outubro de 2016 e custou cerca de US$ 1,2 bilhão.

Na época, a empresa justificou a saída do Brasil dizendo que preferia focar seu crescimento dentro dos Estados Unidos. A companhia chegou a operar oito hidrelétricas no rio Paranapanema, no interior do estado de São Paulo, e mais duas pequenas hidrelétricas, também no interior paulista.


Nintendo

A Nintendo foi uma das primeiras multinacionais a sentir os impactos da recessão econômica iniciada em 2014. A empresa japonesa anunciou em janeiro de 2015 a interrupção da venda oficial de seus produtos no Brasil. A decisão atingiu os consoles, como o Nintendo Wii, e os jogos eletrônicos, como o Super Mario.

Na época, a empresa culpou o ambiente de negócios brasileiro – em especial as altas tarifas de importação – pelo fraco desempenho. “Os desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição atual no país ficar insustentável.”

Publicidade

C&A

A centenária rede holandesa completa em 2016, 40 anos de Brasil. No balanço do ano, porém, há pouco a comemorar. Ao longo de 2015 a empresa fechou lojas na capital paulista, no interior e em outros estados como o Rio Grande do Sul.

O foco da empresa tem sido reduzir lojas em shoppings, forte indicativo de que o desaquecimento do setor pegou a maior varejista de moda do país. Em 2015, o setor de shoppings registrou aumento de 5% nas vendas, contra 9% da média dos 3 anos anteriores.


PÃO DE AÇÚCAR

O forte crescimento da renda levou a ascensão das redes de supermercados ao longo da década. Varejistas como a Companhia Brasileira de Distribuição, dona do Pão de Açucar, viram suas vendas saltarem de R$ 13,14 bilhões em 2005 para R$ 65,52 bilhões em 2014.

Em 2015, porém, a rede registrou seu primeiro prejuízo em 15 anos: de R$ 314 milhões, contra um lucro de R$ 1,76 bilhões de um ano antes. Para controlar custos, a rede, agora controlada pelos franceses da Casino, tem fechado lojas maiores e apostado em lojas menores, de varejo de bairro.

A empresa sozinha foi responsável por demitir 3 mil trabalhadores em apenas um trimestre.

Publicidade

WALMART

A maior rede de varejo do mundo, com faturamento mundial de US$ 482 bilhões, cerca de ¼ do PIB brasileiro, chegou ao Brasil por meio da aquisição da bandeira Bom Preço, no Nordeste, e desde então, especializou-se em adquirir outras marcas, como os supermercados BIG, no Rio Grande do Sul.

Também se ajustando ao crescimento menor do setor e a queda na renda, o Walmart fechou nada menos do que 60 lojas no país em 2015.

A empresa prevê se reestruturar mundialmente, fechando 115 lojas fora dos Estados Unidos (incluindo as 60 lojas brasileiras).


MARISA

A varejista paulista de moda feminina, fundada em 1948, viu em 2015 o seu primeiro prejuízo desde que decidiu tornar-se uma empresa com ações listadas em bolsa, em 2007. A crise no varejo não criou sozinha as perdas da rede, mas sem um cenário favorável, qualquer perspectiva de ajuste da varejista teve de ser adiada.

Em 2015 a empresa anunciou o encerramento das suas vendas diretas, de porta em porta, e o fechamento de cerca de 5% das suas lojas.

Sem perspectivas, a empresa anunciou que deve seguir cortando custos por meio desta redução de escala.

Publicidade

VIA VAREJO (PONTO FRIO E CASAS BAHIA)

A maior varejista de móveis e eletrodomésticos do país, controladora das marcas Ponto Frio e Casas Bahia, viu em 2015 seu lucro encolher nada menos do que 99,7% em relação a 2 anos antes; enquanto suas vendas caíram outros 12%.

O resultado para o ano, porém, não é uma exceção no varejo. Entre janeiro e setembro de 2015 a rede fechou 70 lojas, além de reduzir em 7 mil seu número de funcionários. Para 2016, as perspectivas da empresa indicam menores investimentos, mantendo o ritmo de reajuste a um cenário novo para o mercado, de queda na renda média das famílias. Mantendo-se a expectativa em relação a 2016 divulgada pelo Banco Central, 2015-2016 deverá representar a maior queda na renda da população brasileira já registrada na história – cerca de 7% negativos


VICTOR HUGO

A rede que leva o nome do estilista uruguaio, viu sua primeira loja no Brasil ser inaugurada em Ipanema, na década de 70. De lá pra cá a Victor Hugo presenciou o período de hiperinflação, 3 períodos de recessão, 2 calotes na dívida pública e 6 planos econômicos fracassados.

Foi durante a crise de 2015, porém, que a empresa decidiu fechar sua loja no Rio de Janeiro. Tradicionalmente menos afetado por crises que os demais, o mercado de luxo também sentiu o baque, em especial pelo preço da alta do dólar.

No ano em que marcas como as americanas Kate Spade e BareMinerals deram adeus ao Brasil, a grife chegou a suspender regalias como as oferecidas aos jornalistas durante o São Paulo Fashion Week, tudo para conseguir manter-se em meio à atual turbulência.

Publicidade

GAP

A marca norte americana possivelmente está entre as mais conhecidas dentre o varejo de roupas no Brasil. Por aqui, a empresa é representada pelo grupo GEP, dono também da rede Luigi Bertolli.

Em crise financeira, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial para tentar resolver sua situação, o que acabou levando o grupo a ter de abandonar a parceria que o levava a gerir a marca americana no país.

CLICA AQUI VAI

Comentários