VAI LOGO. ENFIA!

– Tô tentando, pô. Peraí.
– Como assim tá tentando?
– É que não tá bem duro.
– Não tá bem duro? Cinquenta anos me enchendo o saco, pedindo: “Deixa eu meter no teu cu” e quando eu deixo você me diz que não tá bem duro?
– Acho que foi a emoção. Deixa eu tentar de novo.
– Então, vem, mete tudo!
– Eu tô quase conseguindo. Abre um pouquinho.
– Abrir o quê?
– O cuzinho.
– Mas você sempre disse que queria botar no cu porque era mais apertado e agora me pede pra abrir?
– Como é que eu vou abrir o meu cu?
– Relaxando, porra!
– Eu tô relaxada até demais. Você é que tá nervoso com a sua meia bomba.
– O que é isso? Onde você aprendeu a falar assim?
– Falar o quê? Meia bomba? Todo mundo fala meia bomba!
– Não a minha esposa. Isso é coisa de mulher que tem amante.
– Pois fique sabendo que eu já falava meia bomba muito antes de ter um amante.
– O quê? Você tem um amante?
– É isso aí. Tá mais do que na hora de botar as cartas na mesa. Nosso casamento já era.
– Você enlouqueceu? Que papo é esse de uma hora pra outra?
– De uma hora pra outra, nada! A gente sabe que o nosso casamento é um defunto que esqueceu de cair. Nossa neta já tem dezoito anos e eu vou embora com ela.
– Não vai embora porra nenhuma. Primeiro vai me explicar: que história é essa de amante? Há quanto tempo você tem um amante?
– Dois meses.
– É o primeiro?
– É.
– Você deu o cu pra ele?
– Dei.
– Ah! Então é por isso que depois de cinquenta anos você resolveu liberar pra mim?
– É! É isso! Agora com licença que eu vou me mandar.
– Espera! Isso não pode acabar assim.
– Pode e vai. O nosso casamento já era.
– Não. Eu tô falando do seu cu.
– O que tem o meu cu?
– Eu quero comer. Depois de cinquenta anos eu tenho direito.
– De que jeito você vai comer o meu cu? Você tá broxa.
– Broxa, não, hein!? Sou corno, mas não sou broxa!
– Você? Corno? Corno que corneia não é corno.
– Quem disse que eu te corneio?
– Cinismo numa hora dessas? Já não bastam os cinquenta anos de hipocrisia que passamos nesse quarto?
– Tudo bem. Eu admito. Eu arrumei uma amante nos últimos meses.
– Nos últimos meses? Você tem um caso com essa mulher há anos. Eu sei, nossa neta sabe, o namorado da nossa neta sabe, todo mundo sabe.
– Ah! E eu sou sempre o último a saber o que vocês sabem!
– Essa é boa! Você é a vítima agora. Pelo menos ela te dava o cu?
– Não.
– Puta, mas tu é azarado, hein?
– Ah, é? Então fica de quatro que eu vou te mostrar o azarado.
– Pronto! Tô de quatro. Vem logo.
– Com terrorismo não vai dar. Você bem que podia gemer um pouquinho.
– Ai, meu Deus! Tá bom, então. Fode o meu cuzinho. Vem, enfia essa pica grossa no meu rabo. Eu quero sentir esse caralhão me arregaçando. Vem!
– Você fala essas coisas pro seu amante?
– Escuta aqui! Come logo essa porra desse cu que eu preciso ir embora.
– Ah, é assim? Tá de encontro marcado com o amante?
– Vai querer ou não?
– Tá bom. Tá bom. É que tá seco. Você bem que podia dar uma chupadinha.
– Eu é que não vou chupar essa lombriga mole. Dá uma cuspida e vai logo.
– Olha, vamos combinar uma coisa. Você vai preparando as suas malas enquanto eu relaxo um pouquinho. Depois você volta aqui e a gente liqüida a fatura.
– Minhas malas já estão prontas.
– Porra! Me apunhalando pelas costas!
– Pobre vítima indefesa! Agora com licença que eu tenho que ir embora.
– Espera. A gente precisa discutir melhor a nossa relação.
– Não me faça rir.
– A gente tem muitas responsabilidades em comum.
– Por exemplo?
– Por exemplo a educação da nossa neta.
– Você nunca se preocupou com isso.
– Nunca é tarde pra começar. Ela já tá uma moça e tem um comportamento que me deixa cheio de dúvidas.
– Que dúvidas?
– Será que a nossa neta dá o cu pro namorado?
– Ah! Vá se foder! Tchau.

15/03/2018

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