VOCÊ GOSTARIA DE TRABALHAR EM UM NAVIO DE CRUZEIRO? ENTÃO PRECISA SABER DESTAS 5 COISAS…

VOCÊ GOSTARIA DE TRABALHAR EM UM NAVIO DE CRUZEIRO? ENTÃO PRECISA SABER DESTAS 5 COISAS...

Já vou estragar a brincadeira… Você vai trabalhar como um escravo núbio na corte de Cleópatra!

Eu já mencionei várias vezes aqui no blog e nas minhas redes sociais que trabalhei um pouco mais de seis meses em navio de cruzeiro. Aliás, se não fosse por isso, talvez até hoje eu não teria feito minha primeira viagem internacional e com certeza, se tivesse feito, não teria ficado tanto tempo fora do Brasil quanto já estou.

Quero muito começar uma série de vídeos lá no Youtube contando sobre vida a bordo, dando diquinhas e tirando da cabeça das pessoas que trabalho em navio é trabalho escravo – ou que seja a forma fácil de conhecer o mundo. Não é nem um extremo nem outro. Por essas e outras, achei que seria bem legal fazer um post sobre a vida a bordo e por que não contar 5 coisas que só quem vive isso sabe?


  1. Você está lá para trabalhar, não para turistar
    Sim, dá pra conhecer vários lugares, mas com certeza vai ter pelo menos um porto que você tá morrendo de vontade de conhecer, o navio só vai passar uma vez por lá e você vai ter que trabalhar. Durante meu contrato, passamos um dia em Casablanca e adivinhem quem trabalhou o dia todinho e só viu Marrocos da janela? Não adianta falar que estão te prendendo, que você não tem liberdade e que é escravizado: você trabalha pra companhia, quem pode sair lyndo quando bem entender são os passageiros.


  2. Você trabalha até 77 horas por semana, sem folga durante 6 meses ou mais e, SIM, isso é legal
    Antes de embarcar, vi uma notícia de brasileiros que desembarcaram e acionaram a justiça por conta de trabalho escravo: eles tinham trabalhado mais de 60 horas em uma semana. Fiquei meio sem entender o alarde, já que nessa época eu já tinha meu contrato em mãos e ele dizia que eu iria trabalhar até 11 horas por dia, sem folgas e eu concordei com aquilo. Um navio está em águas internacionais e as leis do Brasil não se aplicam lá dentro.


  3. Brasileiro tem mordomia, ao contrário do que muitos pensam
    Não na carga horária, mas talvez por sermos um povo tão CHATO (sério, nenhuma outra nacionalidade reclama tanto lá dentro do navio quanto brasileiro), criaram leis especiais para nós. Pelo menos na companhia onde eu trabalhei, brasileiros não pagavam uniforme e recebiam reembolso dos exames médicos. Nenhuma outra nacionalidade tinha esse direito. Existem companhias que não pagam a passagem de ida do tripulante, mas adivinham? Para brasileiro, algumas delas pagam.


  4. O tempo não passa como em terra
    Não só porque dependendo da rota nós mudamos o horário umas três vezes em uma semana, mas um mês parece quase um ano, depois de 11 horas de trabalho você ainda vai querer ficar mais umas 4 no bar com os seus amigos, você se apega feito louco e quando finalmente desembarca tudo parece meio monótono. Eu vivi umas coisas muito intensas a bordo e sei que foram experiências que só tive justamente por estar lá. Você vê seus colegas de trabalho no café da manhã, você toma cerveja com as mesmas pessoas à noite, você sai pelos portos também com eles. É meio louco.


  5. Você descobre umas coisas maneiras sobre você mesmo
    A bordo, fiz muito amigo que tinha graduação trabalhando como camareiro há anos. Dividi cabine do tamanho do meu banheiro com pessoas que tinha acabado de conhecer. Fiquei doente só uma vez – e eu sempre fui do tipo que tomava soro toda semana por algum motivo. A bordo, carreguei umas caixas mara de 15kg no ombro e eu sempre fui de reclamar de carregar sacola de mercado. A bordo, chorei por pessoas que conhecia há três ou quatro meses, me permiti amar pessoas que eu sabia que nunca mais ia ver na vida. Me vi falando italiano, espanhol, francês, dando bronca, levando bronca, cuidando, me cuidando e me orgulhando de coisas que eu não esperava conseguir e outras pessoas sempre tiveram certeza que eu não iria conseguir. E depois de tanto tempo, parece que nem lembro mais quem eram essas pessoas 🙂

É isso, amigos. Nada é perfeito, não tem que ser. Nós temos que nos arrepender para fazer melhor da próxima vez, temos que fazer várias vezes pra um dia acharmos perfeito e dar a cara a tapa pra termos certeza do que queremos. Eu quero mesmo é compartilhar todas minhas experiências com quem estiver disposto a ouvir. Ninguém sabe de verdade o que tá fazendo com a própria vida e isso nos torna muito únicos. Juntando todas as coisas que passei, me vejo muito única mesmo.

Fonte: Maya Oliveira

17/05/2018

GANHE DINHEIRO RESPONDENDO PESQUISAS NA INTERNET


Se você chegou até aqui é porque você gostou, né? Então curta e compartilhe o Acidez Mental no Facebook com seus amigos! Seu clique é MUITO importante!

CLICA AQUI VAI

Comentários