PERDIDOS NO ESPAÇO: O QUE EU ACHEI. (NÃO TEM SPOILERS!)

PERDIDOS NO ESPAÇO - O QUE EU ACHEI

Quando a Netflix anunciou o remake de Perdidos no Espaço os corações dos fãs se aqueceram. Pessoalmente, na minha infância passei horas assistindo a série mesmo sendo tão antiga (1965 a 1968) eu adorava a ideia de ter um robô como amigo.

Então minha expectativa com Perdidos no Espaço estava um pouco baixa devido ao remake feito 1998 com o Matt LeBlanc – que foi um erro cinematográfico. Isso mudou quando saiu o trailer da produção e eu pensei “tem potencial” está claro que a Netflix trata série assim a tornando uma das grandes apostas esse ano do serviço de streaming.

O cuidado da série vai além do visual. A contextualização é o que dá a produção o tom e traz um roteiro que faz mais sentido nos dias de hoje. A série clássica criada por Irwin Allen foi lançada quando os Estados Unidos estavam em plena corrida espacial e o fascínio das pessoas pelo espaço alavancou a série, assim como Star Trek (lançada e 1966). Se em 65 o problema na terra era a superpopulação na nova versão temos um problema atual e real que é o aquecimento global, além de modernizar elementos de ficção científica.

Primeiro episódio da serie original foi ao ar setembro de 1965
Primeiro episódio da serie original foi ao ar setembro de 1965

A família Robinson se alista em um programa do governo onde só os cidadãos mais ilustres são aprovados e partem para uma espécie de terra prometida (Alpha Centauri) onde a possibilidade do recomeço da humanidade parece ser viável, mas o caminho até lá não será nada fácil.

A bordo da Júpiter 2, os Robinson estão a caminho da colônia espacial (Resolute) quando são obrigados a fazer um pouso forçado neste planeta desconhecido. O primeiro (e ótimo) episódio com pouco mais de uma hora de duração já nos mostra o investimento na produção: os efeitos são deslumbrantes e remetem a grandes sucessos como Gravidade e  Interestelar. 

As cenas de gravidade zero, o espaço e a construção do ambiente é simplesmente de encher os olhos, mas o que realmente chama atenção nesse primeiro episódio é o roteiro e, principalmente, o elenco.

Com meia hora de episódio já ficamos totalmente cativados pela família e com o passar do tempo vemos que cada um deles tem suas complexidades que vão além de estereótipos e são desenvolvidos durante a temporada. Os protagonistas da série Molly Parker (House Of Cards)  e Toby Stephens (Black Sails) tem uma ótima química juntos e a interação com os filhos deles sempre rende muitos momentos emocionantes nessa primeira temporada, aliás o elenco jovem também merece destaque, principalmente Maxwell Jenkins, que interpreta Will Robinson – é adorável e está no nível das crianças de Strange things.

A grande vilã da série é interpretada pela Parker Posey (Columbus), que interpreta Dr Smith/June Harris, que usa a fragilidade dos personagens para manipulá-los e conseguir sobreviver, ela desempenha bem o papel e o torna um daqueles personagens que amamos odiar.

Em comparação antiga versão temos a mudança de sexo do personagem que eu achei um ponto muito positivo, a dinâmica entre ela e a Maureen (Molly Parker) é muito bem construída e ao final da temporada vemos June Harris se tornando a antagonista de Maureen.

Mas nem tudo são flores em Perdidos no Espaço e há certos problemas durante a temporada: alguns episódios são arrastados e há um uso de subterfúgios de roteiro que incomodaram muito, como nosso robô (na série de 65 chamado de robô B9) e aqui ele não tem nome. Ele é logo apresentado e se torna o grande mistério da série, mas na maioria do tempo ele é apenas mais um elemento jogado na série, e o que também incomoda é o fato de que a família está ali, convivendo tranquilamente com um robô alienígena, não faz sentido. Como dito, alguns episódios são arrastados e por mais que o roteiro se esforce nenhum dos personagens  secundários é interessante o bastante pra segurar algumas histórias que acontecem paralelamente.

Por fim Perdidos no espaço é thriller espacial que empodera as mulheres, faz algumas referências que só os que conhecem bem a série vai reparar, mas nada que estrague a experiência de assisti-la. De um modo geral a série tem um potencial gigantesco para virar um dos grandes hits do catálogo original da Netflix, um prato cheio para toda a família se divertir.

Só uma coisa me incomoda. A terrível morosidade da Netflix em colocar as temporadas subsequentes de suas séries. Gostei do jeito que a Netfix fez, colocando toda a 1ª temporada no ar, numa tacada só. Adoro fazer maratona de séries. Mas… Esperar quase um ano para assistir a 2ª temporada, como foi feito em Stranger Things, vai decepcionar e afugentar os fãs.

17/04/2018

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