O PIOR FILME DA HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL DE TODOS OS TEMPOS

O PIOR FILME DA HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL DE TODOS OS TEMPOS

Dando sequência ao post Os 10 piores filmes da história do cinema brasileiro, cheguei a conclusão que o filme mais merda da história do cinema mundial de todos os tempos não é apenas um filme, são dois.

Brasileiros, claro…

Aqui estão eles:

CINDERELA BAIANA

Dirigido por Conrado Sanchez, (ir)responsável pelos sucessos da Boca do Lixo paulistana Como Afogar o Ganso (1981), A Menina e o Estuprador (1982) e A Menina e o Cavalo (1983), Cinderela Bahiana narra a saga de uma menina pobre do Recôncavo Baiano que nasceu burra, não aprendeu nada e ainda esqueceu a metade. E que, mesmo assim, graças à abundância de seus talentos naturais (posteriormente turbinados pelos avanços da medicina), encontra a fama, a riqueza e o amor.

O filme, produzido em 1998, chega a ser bom de tão ruim, e é aí que mora o grande perigo. Os espectadores, desavisados diante de tamanha acefalia, são pegos desprevenidos e acabam sendo lobotomizados pelas mensagens ideológicas embutidas no roteiro. Mesmo porque Carla Perez nos surpreende com seus dotes dramatúrgicos, reproduzindo à perfeição os cacoetes de uma loira descerebrada capaz de recitar diálogos do tipo:

– Carlinha, você não vai participar da seleção de dançarinas?
– Seleção? Ué, eu não jogo futebol!
– É que o Pierre, o maior empresário de shows de axé de Salvador, está procurando uma dançarina para protagonizar seu próximo show!
– Ahn… Proto o quê?

Mas o fato é que o filme possui inúmeras seqüências antológicas, e é tarefa hercúlea recordar de todas elas. José Carlos Cipriano, outro entusiasta desta pérola, descreve uma delas: “Um dos chamarizes desse marco cinematográfico é a atuação impagável do Alexandre Pires, fazendo o príncipe encantado da película. Sobretudo naquele momento em que os capangas do Perry Salles brigam com ele, aplicando-lhe um soco que passa de raspão na cara (a câmera mostra que não pegou, só passou muito perto) e ele cai desmaiado no chão”. É preciso ver para crer neste momento que deixa as seqüências de ação de Matrix no chinelo.

Chamo a atenção, nesta cena, para o mais expressivo puxão de orelhas de toda a história do cinema mundial. O ator responsável por essa façanha é Lázaro Ramos. Em entrevista concedida à Casa de Cinema de Porto Alegre, o protagonista de Madame Satã e O Homem que Copiava confessa que sua atuação no papel de Chico, um dos melhores amigos da Cinderela soteropolitana, foi decisiva para a consolidação de sua carreira dramatúrgica: “Ganhei bem para fazer esse filme, que possibilitou que eu me dedicasse à minha vida de ator. Até então, junto com o teatro, eu trabalhava em hospital, porque sou técnico em patologia. Com o dinheiro que recebi, quase duzentas vezes mais que meu salário, consegui abandonar o emprego e me dedicar por inteiro ao teatro”.

No entanto, nada é capaz de superar a pujança do apoteótico final, quando Carlinha Perez, vestida com trajes de odalisca em baile em Carnaval, desce indignadíssima de seu carro importado, ao se deparar com crianças trabalhando em uma estrada esburacada. Confiram.

Embora o espectador mais atento possa estranhar o porquê daquelas criancinhas estarem empunhando enxadas no meio do asfalto (???), nada é capaz de ofuscar o brilho, com rompantes purpurinados, do discurso social da ex-dançarina do Tchan. Atentem para a cena em que Carla liberta alguns passarinhos para o comovente vôo da liberdade (apesar de uma das crianças ter sido obrigada a sacudir a gaiola para que as aves saíssem voando, em uma metáfora cristalina da apatia e acomodação daqueles que sequer reconhecem-se oprimidos pela malévola sociedade capetalista). Parafraseando as sapientíssimas palavras da esposa do Xanddy: “De que adiantam essas campanhas demagógicas?”.

É uma pena que o trecho disponível no YouTube não exibe o final dessa seqüência, quando, em uma paráfrase certamente proposital do fim de O Sétimo Selo de Ingmar Bergman, Carla Perez pega na mão das criancinhas e dança o tchan, com o seu vulto recortado à contraluz sobre o horizonte nordestino. Para arrematar com chave de ouro, sobe a trilha sonora deste momento estupefaciante da sétima arte: “Pau que nasce torto/ Nunca se endireita/ Menina que requebra/ A mãe pega na cabeça…”.

Você deseja compreender fenômenos recentes da cultura tupiniquim como Bruno Chateaubriand, Narcisa Tamborindeguy, João Kléber, Diego Alemão e as Garotas Dolly? Então assista a este verdadeiro zeitgeist cinematográfico, retrato definitivo de toda uma geração de crianças que cresceu assistindo aos programas da Xuxa. Uma obra que necessita ser devidamente destrinchada por antropólogos e sociólogos, mais do que Raízes do Brasil ou Casa-Grande & Senzala, e sem a qual torna-se improvável a plena compreensão dos últimos 20 anos de Terra Brasilis.

INSPETOR FAUSTÃO E O MALLANDRO

“Inspetor Faustão e Mallandro” é um dos poucos filmes que já conseguem fazer alguém rir só pela descrição. Afinal, o que pode ser pior do que um filme financiado pela “Xuxa Produções” e formado pelo literalmente protagonista de peso Fausto Silva e um elenco brega, entre os quais: Sergio Mallandro, Patricia Marx, Sidney Magal e Wando. Se você respondeu o roteiro deste filme, acertou. Nem as videocassatadas do protagonista deste bagação conseguem ser tão bizarras quanto a mente de quem colocou isso no papel.

Um feirante chamado Faustão é designado por Deus em pessoa para ser o tal “Inspetor Faustão” e acabar com o contrabando de animais. Contando com a ajuda de ninguém menos do Sérgio Mallandro, ele irá tentar resolver o caso do desaparecimento do último casal de um espécime rara de codornas da Amazônia, cujos ovos são contrabandeados por possuírem propriedades afrodisíacas.

A pérola consegue ser tão assustadora que conta com um “faustinho”silva (se é que isso é possível), um pirralho tosco que é imitaçao do Faustão. Mas a tragédia acontece mesmo quando Mallandro, o assistente do tal inspertor divino, sonhando em ser cantor e inspirado com a investigação cria o “Rap do Ovo”, contando com os comoventes auto-relatos de Faustão:

Falando de ovo, eu gosto de cozido
Ele é que me deixa forte pra encarar qualquer bandido

Pegue o ovo de codorna toda vez que der vontade
Mas cuidado com esse ovo ele é o ovo da verdade

Não há muito o que falar sobre este atentado à sanidade humana. Junte o inclassificável talento de Faustão como apresentador ao humor débil mental de Sérgio Mallandro e uma história ridícula e temos este filme de chamado Inspetor Faustão e o Mallandro. Para você não correr o risco de morrer de rir com esse filme, colocamos as melhores cenas:

Aqui o filme completo:

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14/09/2017

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