O MEDO E A GLÓRIA AO COMPRAR MINHA PRIMEIRA PLAYBOY AOS 12 ANOS DE IDADE

O MEDO E A GLÓRIA AO COMPRAR MINHA PRIMEIRA PLAYBOY AOS 12 ANOS DE IDADE

VENDA PROIBIDA PARA MENORES DE 18 ANOS

Aquela frase na capa, em negrito, era aterrorizante. Fazia a gente se mijar nas calças. Imagina se o cara da banca de jornal descobre que eu sou menor de idade e chama a polícia? Imagina!

Eu indo para a cadeia e tendo que explicar para os meus pais, para a minha vó e para a minha professora o que eu estava fazendo na banca de jornal, tentando comprar algo explicitamente proibido. Seria muito constrangimento. Além da surra que eu levaria e dos meses que eu ficaria de castigo. Era melhor não arriscar.

Eu tinha doze anos e acabei ficando amigo do Robson, o cara que cuidava da banca de jornal perto da minha casa.

O cara era o jornaleiro mais gente fina do mundo. Deixava a molecada ler todos os gibis na banca, as vezes dava umas figurinhas de graça, jogava ‘bafo’ com a gente, ensinava a fazer aviãozinho e chapéus com jornal.

Ele estava pouco se fodendo. A banca não era dele, e o patrão provavelmente era um cuzão.

Mas o que realmente fazia do Robson o jornaleiro mais gente fina do mundo é que ele me vendia Playboy ilegalmente.

Para um moleque de doze anos daquela época, os longínquos anos 70, ter uma revista de mulher pelada era o ápice do poder de se gabar com os amigos da escola e da rua.

Ver mulher pelada era algo semelhante a comprar drogas: proibido, as fontes eram escassas, limitadas, algumas vezes bem caras. E qualquer acesso a uma Playboy vinha acompanhado do dever cívico de compartilhar com todos os seus 38 melhores amigos. Você podia ser o último a ser escolhido nas aulas de educação física e só jogar no gol, mas se você tivesse revistas de mulher pelada, você era o cara. Quase um semi-deus entre os seus amigos.

Eu tinha 3 Playboys, que na época se chamava Revista Homem. Todas escondidas em um local mega-ultra-secreto, que minha mãe e minha vó nunca descobriram.

Era foda.

Pulando algumas décadas, penso nessa garotada de hoje que tem acesso fácil à toneladas de pornografia em seus celulares. Costumo dizer que eles não sabem o que é a dificuldade e emoção que eu e meus amigos passávamos pra ver um simples par de peitinhos. Por isso, a gente aprendeu a curtir e admirar as sutilezas das mulheres que a gente via na vida real: a professora, a vizinha, a irmã mais velha do amigo e as mulheres que passavam na rua.

Como não tinha mulher pelada por todos os lados, a gente tinha que curtir o que dava pra ver: os cabelos, o olhar, a silhueta do corpo, um decote mais generoso, uma blusa transparente, o jeito de caminhar, as pintinhas, os trejeitos e eventualmente, uma calcinha descuidada.

Mas voltando ao Robson, o jornaleiro: Anos depois descobri que a banca de jornal era dele mesmo, mas ele cagava e andava pras revistas e jornais. O negócio dele era só fachada pra vender maconha e a amizade com a criançada, era só pra disfarçar a boca de fumo.

Que época boa!

 

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