HOLLYWOOD E SUA INSUPORTÁVEL MANIA EM TRANSFORMAR A MITOLOGIA GREGA EM UM VERDADEIRO BALAIO DE GATOS

HOLLYWOOD E SUA INSUPORTÁVEL MANIA EM TRANSFORMAR A MITOLOGIA GREGA EM UM VERDADEIRO BALAIO DE GATOS

Deuses, Semi deuses, Heróis e monstros mitológicos invadiram as telonas! Mas é lamentável que a união da mitologia grega e cinema, raramente dê certo.

Infelizmente são pouquíssimos os bons filmes sobre este tema. A maioria tende a alterar a verdadeira história, como se os roteiristas e diretores não estudassem direito as lendas antes de produzirem os filmes.

Muitos dos personagens famosos da mitologia são utilizados, mas, muitas vezes, em uma história que não tem nada a ver com as lendas gregas ou são muito distorcidas destas.

Mas há exceções. Dois filmes são realmente muito bons.

Confira:

Fúria de Titãs (2010)

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Este filme é um atentado a inteligência de qualquer pessoa que tenha lido em toda sua vida, pelo menos dois parágrafos sobre milotogia grega. Mal feito, mal produzido, mal dirigido, mal tudo. É uma verdadeira afronta a mitologia grega, a cultura grega, aos gregos e qualquer ser humano que tenha pelo menos dois neurônios dentro da caixa craniana. Nada funciona neste filme. Nenhuma lenda foi respeitada. Mitos foram descaradamente inventados por um roteirista irresponsável e insano que escreveu todas as merdas que lhe vieram a cabeça: Por exemplo, ao contrário do que é dito no filme, Zeus não traiu Hades. Hades não criou Kraken (Kraken é um monstro da mitologia nórdica!) O monstro da história de Perseu se chamava Cetus e era comandado pelo deus dos mares Poseidon. Os pais de Perseu não foram mortos por Hades. Perseu não via problemas em ser um filho de Zeus, pelo contrário, o herói se gabava disso. Io não tem nada a ver com o mito de Perseu, quem ajudou Perseu na lenda original foram os deuses Atenas, Hades e Hermes, e sua única amada foi Andrômeda. Io foi amante de Zeus. E, além disso, personagens presentes no filme como Cáligo e aqueles feiticeiros do deserto, que dominavam os escorpiões, simplesmente são existem em nenhuma mitologia: nem egípcia, nem nórdica, nem hindu, muito menos na grega. Puro delírio hollywoodiano.

Imortais (2011)

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O filme também alterou um pouco a verdadeira lenda de Teseu, por exemplo, o fato dele marcar o caminho de volta do labirinto com sangue e não com o fio de Ariadne, o verdadeiro par romântico do herói na mitologia que não aparece no filme e é substituída por uma simples oráculo. O Arco de Épiro é uma arma criada para a história do filme, e não existe na mitologia grega (Épiro nem é alguém e sim algo – uma das 13 periferias da Grécia). O Rei Hyperion também é um personagem fictício (Hyperion existe na mitologia, mas ele é um dos 12 titãs, não um simples rei). O clássico confronto de Teseu contra o minotauro é mantido, mas o “Minotauro” do filme é um dos soldados de Hyperion que, incumbido de matar Teseu, coloca um capacete de chifres e cabeça de touro. Em outra cena, Zeus arranja um chicote flamejante e dá um golpe em Apolo, o matando. Como assim, um chicote flamejante?! Zeus nunca teve um chicote, mas sim um raio. Erraram na arma do deus Apolo também, que no filme utilizava um martelo, sendo que sua arma é o arco e flecha, o martelo pertence à Hefesto. Sem falar do fato da imortalidade dos deuses, o que os produtores do filme parecem ter ignorado, já que Apolo morre pelas mãos de Zeus e Atena morre pelas mãos dos titãs. Também não gostei muito do visual dos deuses. Apolo tem um capacete com algo que parece uma crina de cavalo e Atena parece uma stripper, e não uma deusa da sabedoria como ela é. Prefiro os deuses velhos e barbudos. Sem falar dos titãs, que na mitologia são seres colossais, no filme se mostram como monstrinhos magrelos e bizarros. Eu esperava que tivesse uma luta entre deuses e titãs em sua forma original gigante, com Zeus lançando seus raios, Apolo suas flechas e tal, mas acho que isso foi pedir demais, no entanto, ainda tenho esperanças de ver uma cena assim no cinema. Ainda assim, a luta deles em tamanho humano foi excepcional!

Percy Jackson e O Ladrão de Raios (2010)

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Baseado nos livros juvenis escritos por Rick Riordan, o filme apresenta (o personagem criado pelo autor) Percy Jackson (Logan Lerman), um garoto que descobre ser, na verdade, um semideus filho do deus grego do mar Poseidon com uma humana e que, como ele, outros semideuses e seres da mitologia grega ainda vivem no mundo atual. Ao lado da filha de Atena, Annabeth, e seu amigo e protetor, Grover, o garoto Percy Jackson parte em uma incrível aventura, enfrentando vários monstros mitológicos para provar que não é o ladrão do raio de Zeus, como é acusado.Tem muita coisa do livro que não tem no filme, mas também tem cenas no filme que não existiam no livro. Com tudo, um filme muito bacana, que não decepcionou nem mesmo os fãs mais assíduos dos livros e não distorce a mitologia, quer dizer, tem aquela cena em que Percy mata a medusa olhando-a através de um Ipod, enquanto o Perseu original a matou olhando-a pelo reflexo de seu escudo, mas claro, o filme é sobre a mitologia no mundo atual e este “desvio”, que nem chega a ser um desvio, não prejudica nem um pouco o longa e foi até uma sacada legal do diretor. Só neste filme, o herói Percy e Cia enfrentam o Minotauro, a Hidra, a Medusa etc. E olha que este é só o primeiro de cinco filmes que adaptarão os cinco livros da série.

Hércules (1997)
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Em 1997, a Disney saiu do universo dos contos de fadas e se inspirou na mitologia grega para levar a história do filho de Zeus ao universo infantil, em uma deliciosa animação, com muita comédia, músicas e romance.Como todos os outros filmes de mitologia grega, há algumas distorções da lenda de Hércules, como o fato de Hera ser sua adorável mãe, quando na verdade, ela o odiava e tentava sempre lhe matar porque Hércules era fruto de uma relação adúltera de seu marido, Zeus, com Alcmena, que no filme passa a ser sua mãe adotiva. Outros desvios estão mais para uma “amenização” da história numa versão para crianças. Por exemplo, é claro que o filme não mostra o herói enlouquecido matando sua esposa, Mégara, e seus filhos ou ascendendo ao céu depois de atirar-se numa fogueira para acabar com a dor causada por um manto envenenado pregado à sua pele, ao invés disso, no filme, ele ascende aos céus quando dá sua vida para salvar outra de quem ama. Apesar de tudo, esse é um dos filmes que eu mais gosto da Disney.

Tróia (2004)

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Um filme que narra a épica Guerra de Troia em confrontos fantásticos, mas que ainda tem certos desvios, sim, da história verdadeira (oohh, mas que surpresa!). Primeiro, o filme opta por ser mais realista, não mostrando o lado mitológico da guerra, cheio de intervenções divinas, ainda que haja várias referências aos “deuses”. E, no longa, Menelau é morto por Paris, quando na história original, ao final da guerra, tendo vencido os troianos, Menelau não só sobrevive, como ainda recupera Helena. E Ajax não morre em batalha, ele se suicida depois que a armadura de Aquiles é dada a Ulisses e não a ele. Aquiles é morto por Paris antes do evento do cavalo de madeira acontecer, ele não consegue adentrar Troia como mostra no filme. E a Guerra que durou 10 anos, no filme não durou mais que alguns dias, prova disso é o filho de Heitor, que aparece no início da guerra ainda bebê e no fim da guerra sua mãe foge com ele nos braços, ainda bebê! Sem falar de personagens importantes que são simplesmente esquecidos, como a irmã de Páris, Cassandra, a vidente que previu toda a desgraça (mas na qual ninguém acreditou). Enfim, um filme que tem seus altos e baixos e foi bastante criticado

Helena de Troia – Paixão e Guerra (2003)

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Hecuba (Maryam d’Abo), a rainha de Troia, teve um filho que se chamaria Alexandre, mas Príamo (John Rhys-Davies), o rei, dava atenção às visões premonitórias de sua jovem filha, Cassandra (Emilia Fox), que diz que se o bebê não fosse morto, Troia seria destruída pelo fogo. Então Príamo ordena para um serviçal atirar a criança do alto de uma montanha. O encarregado de cumprir a ordem real não tem coragem de matar o bebê e o abandona. Um pastor acolhe o bebê, o chama de Páris (Matthew Marsden) e o cria como se fosse seu. Os anos se passam e Páris se torna um belo jovem, que cuida de um rebanho de cabras. Um dia ele tenta recuperar um cabrito, que foi na verdade manipulado por três deusas: Hera (Andreea Radutoiu), Atena (Gina Nalamlieng) e Afrodite (Emily Kosloski). Elas disputavam entre si qual delas seria a mais bela e escolheram Páris como juiz. Hera lhe prometeu riquezas inimagináveis se fosse a escolhida, já Atena disse que lhe daria vitórias para sempre e Afrodite lhe promete a mulher mais bela do mundo, Helena (Sienna Guillory), fazendo com que Páris tenha uma visão dela. Isto acarretaria em uma das maiores histórias de amor de todos os tempos, mas também em uma sanguinária guerra que duraria quase uma década.Como vocês puderam perceber pela sinopse acima, ao contrário de Troia este filme mostra em detalhes toda a parte mitológica da guerra, sem distorcer nada, por isso também é um dos poucos filmes de mitologia grega que se salva.

Jasão e o Velo de Ouro (2000)

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Na Grécia antiga, a cidade de Iolcus é invadida pelo tirano Pelias, que assassina seu irmão, o rei Aeson. Jasão, o filho do rei deposto, então com apenas três anos, é salvo e enviado por súditos fiéis para um local distante. Vinte anos depois, Jasão descobre a verdade sobre o seu passado e decide reconquistar seu reino. Ao descobrir que seu sobrinho está em Iolcus, Pelias manda matá-lo. Em troca de sua vida, Jasão promete encontrar o velocino de ouro, um dos presentes mais valiosos já dados pelos deuses. Ele constrói um navio, o Argos, e parte para uma aventura emocionante, na qual enfrentará a ira de Zeus, tempestades furiosas e monstros marinhos, como um verdadeiro herói. Filme também bastante fiel à história, é uma refilmagem do clássico Jasão e os Argonautas, de 1963.

E aí Meu Irmão, Cadê Você? (2000)

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Inspirado na saga de Ulisses para contar a história de Everett “Ulysses” MCGill (George Clooney), um prisioneiro que, durante a Depressão Americana do final dos anos 1920, consegue escapar da prisão junto com o doce e amável Delmar (Tim Nelson) e o sempre zangado Pete (John Turturro). Sem nada a perder e ainda presos por correntes, o trio embarca na aventura de suas vidas, enquanto Ulysses tenta voltar para sua esposa Penélope, que está sendo cortejada por outros rapazes. O legal é que, os seres enfrentados por Ulisses na lenda original são mostrados no filme de uma forma mais “moderna”, só pra citar um exemplo, o Ciclope, que na mitologia é um gigante de um olho só, mostra-se no filme como um gordalhão caolho. Logo, é preciso conhecer a história de Ulisses, para perceber as referências feitas no filme à famosa lenda grega.

Orfeu Negro (1959)

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No Carnaval, Orfeu, um condutor de bonde e sambista se apaixona por Eurídice, uma moça do interior, que vai para o Rio de Janeiro fugindo de um estranho, fantasiado de morte. Filme brasileiro dirigido por Marcel Camus, com base na peça de Vinícius de Moraes, por sua vez inspirada no mito de Orfeu, que enfrentou Hades com o poder de sua música maravilhosa, para resgatar a amada Eurídice do reino dos mortos. Vencedor da Palma de Ouro e também o único filme brasileiro a ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1960. Ganhou uma refilmagem em 1999, intitulada Orfeu, dirigida por Cacá Diegues.

Malpertuis (1974)

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Neste curioso filme francês de 1971, dirigido por Harry Kumel, um marinheiro em passagem por sua cidade natal envolve-se numa confusão, é atingido na cabeça e acorda numa misteriosa mansão gótica, pertencente a um lorde megalomaníaco, o Cassave (Orson Welles) e seu fiel ajudante Filarete, um taxidermista esquizofrênico, que escondem um terrível segredo que envolve os intocáveis deuses do Olimpo. Lá, o marinheiro encontra alguns de seus parentes e outros excêntricos moradores, num verdadeiro labirinto de personagens da mitologia grega.

Hércules em Nova York (1969)

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Bom ou ruim, não tinha como deixar passar a atuação de Arnoldão Schwarzenegger como Hércules. O ex-Mister Universo fez sua estreia nas telonas com a comédia de ação Hércules em Nova York. Na trama, o herói desobedece a seu pai, Zeus, que o manda passar um tempo na Terra, onde acaba se envolvendo com empresários de luta livre. Ao mesmo tempo, ele tenta aplacar a fúria de Zeus, que quer castigá-lo por ter desobedecido a suas ordens.

EXCEÇÕES HONROSAS

A Odisseia (1997)

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Outro filme que narra as grandes aventuras vividas por Ulisses/Odisseu (Armand Assante), que, por ter desafiado os deuses, passa anos vagando por estranhos lugares enquanto a esposa Penélope tenta lhe esperar fielmente. Com um roteiro bem fiel à lenda, o filme mostra quase todos os seres mitológicos encontrados por Ulisses, só ficaram faltando as sereias para ficar perfeito, mas ainda assim, um ótimo filme. Produzido por Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), este é o unico filme desta lista que eu recomendo. Vale a pena assistir!

Ulisses (1954)

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Uma versão fiel da Odisseia, onde Ulisses (Kirk Douglas), após 10 anos de batalhas em Troia inicia uma jornada épica para voltar para casa, em Ítaca, e para sua esposa Penélope. Ele percorre mares e caminhos desconhecidos, enfrentando sereias, um gigante de um olho só e as armadilhas da feiticeira Circe, para seguir vivo ao lado de seus soldados. Se você é fã de filmes clássicos, este aqui é filé! Imperdível.

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14/09/2017

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