GAYS: MITOS E VERDADES

GAYS: MITOS E VERDADES

Diz o ditado popular que o diabo não é tão feio como parece. A mesma coisa digo eu em relação aos homossexuais: os viados não são tão sacanas como o povo imagina. E vou mais além: a sexualidade e o erotismo dos gays não é tudo aquilo que os héteros imaginam. Este é meu  tema de hoje: as verdades e mentiras sobre o erotismo  gay.

Como durante dois mil anos o amor  entre pessoas do mesmo sexo foi considerado crime punido com a pena de morte, sendo proibido até mesmo  pronunciar seu nome – daí ser poeticamente chamado de “amor que não ousava dizer o nome” – uma série de  mentiras e mitos foram inventados e repetidos de geração em  geração, reforçando preconceitos, justificando discriminações, aumentando o estigma contra os sodomitas, pederastas, perversos, homossexuais, viados,  invertidos, desviados, boiolas, chibungos, frangos, bichas, etc, etc.

Um primeiro mito é que todo gay tem dentro de si uma mulher acorrentada. Puro equívoco: a grande maioria dos homossexuais estão satisfeitos em ser homens, gostam de seu pênis, não aspiram em tornar-se nem travesti nem mulher. Alguns poucos podem até ter trejeitos efeminados e entre si, de forma irreverente, se chamarem de “mona”, “mulher”, etc. A grande maioria porém dos gays está feliz com seu corpo e com seu modo de ser masculino. Mais ainda: muitos gastam tempo e grana para se tornar ainda mais machos, praticando musculação, criando  barba e bigode, usando roupas e adotando estilo super-masculino, de cowboy, militar, etc. E nunca é demais recordar que aparência exterior não eqüivale necessariamente a preferência erótica: um gay socialmente  delicado pode, na cama, virar um insaciável ricardão-comilão. E vice-versa, é claro.

Um  segundo mito muito divulgado é que todo homossexual é um viciado em sexo, um sexófilo insaciável. Outros vêem o gay como sinônimo de profissional do sexo, sempre disponível e à procura de clientes. Mito, exagero, miopia de observação! O Grupo Gay da Bahia vem realizando pesquisas sistemáticas com diferentes categorias de homossexuais e constatou  que muitos gays passam meses seguidos sem ter sequer uma relação sexual! Outros declararam não ter  transado nem uma só vez durante os cinco dias de folia do carnaval baiano. Mesmo as travestis profissionais do sexo, que vivem da prostituição, mantêm uma média de quatro transas por noite – embora nem sempre cheguem a gozar todos os dias.

Terceiro mito: homossexualidade seria sinônimo de cópula anal. Tão arraigada está no imaginário popular esta idéia, que desde a Idade Média os cristão passaram a associar “sodomia” a “homossexualidade”, rotulando os gays de “sodomitas”, isto é, amantes da penetração anal. Ledo engano: primeiro porque na própria origem do mito de Sodoma não há referência alguma que os habitantes daquela cidade comessem uns aos outros ou quisessem “sodomizar” os forasteiros; segundo, porque muitas mulheres heterossexuais sentem prazer anal, sem falar nos homens que querem que suas parceiras metam o dedo ou outros objetos penetrantes  dentro de seu ânus; terceiro, porque tem muito gay, do mais machudo ao mais efeminado, que simplesmente não gosta nem de ser comido, nem de comer cu de ninguém. Portanto, homossexualidade é uma coisa, “analidade” é outra.

Quarto mito em relação à homossexualidade: todos os gays são potencialmente perigosos molestadores de crianças.  Sobretudo na Inglaterra e Estados Unidos, este preconceito é tão forte que a legislação  impedia aos homossexuais ensinarem em escolas infanto-juvenis, muitos pais manifestando-se abertamente contra a presença de professores gays nos estabelecimentos de ensino. Pesquisas bastante sérias e exaustivas  realizadas comprovam o contrário: são os heterossexuais que mais abusam sexualmente de crianças e adolescentes, com 90% de superioridade em relação aos gays (10%). Pedofilia (atração por crianças impúberes)  e pederastia (atração por adolescentes) são tendências tanto homo quanto heterossexuais, embora a sociedade geralmente aceite o namoro e abençoe o casamento de um homem adulto com uma ninfeta, enquanto condena, lincha e  executa sumariamente nos presídios, o pederasta homossexual.

quinto mito  surgiu nas últimas duas décadas – e apesar de tão moderno, já se  alastrou-se por todo o planeta: os homossexuais são transmissores da “peste gay”. Teve “cientista” que chegou a declarar que o HIV era um vírus gay. Outros imaginaram que havia uma predisposição orgânica do gay para se contaminar pelo vírus da imunodeficiência humana. Há fortes evidências entre os mais respeitáveis cientistas que comprovam o oposto: que  a Aids surgiu entre populações heterossexuais; nada predispõe organicamente  o gay para ser contaminado pelo HIV; os homossexuais foram acidentalmente a população  mais atingida, mas igualmente o grupo que melhor tem respondido à prevenção da “epidemia do século”, inclusive os inventores do “safe sex”, o sexo sem risco.

A homossexualidade deve ser um desafio e não um tabu para a ciência nem para a opinião pública!

Fonte: Luiz Mott

Luiz Mott é doutor em Antropologia, Fundador do Grupo Gay da Bahia e Secretário de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, autor de O Lesbianismo no Brasil e  O Sexo Proibido.  Caixa Postal 2552 – 40.022-260, Salvador, Bahia. <luizmott@ufba.br>  http://www.ggb.org.br

18/02/2018

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