DECAPITAÇÃO EM REBELIÃO DE PRESÍDIO VIROU TRADIÇÃO DE ANO NOVO NO BRASIL…

DECAPITAÇÃO EM REBELIÃO DE PRESÍDIO VIROU TRADIÇÃO DE ANO NOVO NO BRASIL...

A surpresa não é começarmos mais um ano com mortos por conta de uma rebelião em presídio. Isso já virou uma triste tradição no país. O milagre é o sistema prisional brasileiro não explodir de vez.

A rebelião da rodada foi em Aparecida de Goiânia (GO), nesta segunda (01), com nove presos mortos – dois deles decapitados. Dois agentes penitenciários foram mortos a tiros, em Anápolis (GO), um dia após a fuga de mais de 240 pessoas.

Exatamente um ano antes, em Primeiro de Janeiro de 2017, 56 presos haviam sido mortos, seis decapitados, em rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, no Amazonas.

Os muros das cadeias são altos não para evitar que presos fujam, mas para que não vejamos o que acontece lá dentro. Não são locais de ressocialização, mas depósitos de seres humanos, espaços superlotados e sem condição alguma de dignidade que servem apenas para fermentar o ódio contra os que estão do lado de fora.

Não é novidade para ninguém que as cadeias funcionam como centros de comando e de formação do crime organizado, além de locais de disputa pelo controle de territórios para o tráfico. Quem manda no sistema prisional são as facções criminosas e não o poder público. Como a população carcerária brasileira aumentou mais do que em qualquer outro lugar do mundo nos últimos anos, em muito por conta da falida guerra às drogas, a matéria-prima à disposição das facções cresceu na mesma proporção.

É desesperador quando, diante desse quadro, ouvimos que a solução é matar quem está lá dentro. Nem espero mais que os ”gênios” que defendem isso entendam que o Estado não pode simplesmente passar fogo em pessoas sob sua tutela. Mas seria bom se compreendessem que ao adotarmos o ”olho por olho, dente por dente”, entraremos em um ciclo de vingança e morte tão profundo que não sobrará muita coisa do que hoje chamamos de sociedade.

A quantidade de presos que trabalham ou estudam gira em torno de 10% do total. Ou seja, não interessa para o país reintegrar, apenas retirar pessoas pobres que cometeram crimes de circulação. A isso podemos dar o nome de vingança ou preconceito, mas nunca de Justiça.

Líderes de uma facção criminosa têm cortado cabeças com o objetivo de intimidar os inimigos, usando as redes sociais para viralizarem vídeos com as decapitações. Isso é a consequência da tragédia, não a causa – que passa pela inoperância do Estado.

A presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Cármen Lúcia, pediu mais uma inspeção para verificar a situação dos presos e das condições do presídio. Será tão efetiva quanto um bombeiro que verifica as condições de um prédio que já queimou até o chão, cujo responsável sabia de suas condições, mas seguiu colocando gente dentro.

O diagnóstico do sistema é conhecido há tempos e temos uma bomba-relógio nas mãos. O que falta é coragem e vontade política para colocar uma solução impopular – a revisão das políticas antidrogas e carcerária – em curso.

Fonte: Blog do Sakamoto

04/01/2018

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