COMO IDENTIFICAR UM MAU PROFESSOR

COMO IDENTIFICAR UM MAU PROFESSOR

Você levou ou está por um fio de levar pau na escola? Está indo de mal a pior na faculdade? Sua tese de Pós, Mestrado ou Doutorado está descendo ladeira abaixo?

Pois existe uma (pequena) possibilidade de a culpa não ser sua, mas de seus professores, acredite!

A realidade indica que muitos professores são mais instrutores e menos educadores e o mais grave: muitos são maus professores, capazes de cometer muitas atrocidades contra seus próprios alunos.

Diríamos que muitas escolas sofrem com o que poderíamos chamar de pedagogia da intolerância que se caracteriza pela intransigência e irracionalidade no exercício de ensinar.

No Brasil, as bases da pedagogia da intolerância estão assentadas no período colonial no qual foi marcado, por dois séculos, pela educação jesuíta. O intolerantismo e religião, historicamente, caminham juntos. Daí, falar-se, na Idade Média, em intolerância religiosa. Há professores que fazem do seu magistério uma religião cheia de doutrina e dogma, que transforma o espaço escolar em espaço de intolerância religiosa como estivessem vivendo em pleno medievalismo.

O bom professor não é um professor hábil na formação cognitiva dos alunos, mas em educação em valores. Nada impede que o bom professor seja exigente e rigoroso no cumprimento de suas obrigações de ensinar. O diferencial do bom professor é que, após anos de estudos e de formação acadêmica, alcançou alto grau de proficiência. Torna-se eficiente no ensinar, competente em fazer aprender e hábil na relação interpessoal. Os bons professores nunca perdem a ternura mesmo na hora de disciplinar por amor à pedagogia.

O mau professor, ao contrário, é, em geral, um professor intolerante que reproduz, muitas vezes, consciente ou inconsciente, um modelo pedagógico rígido, reflexo de uma pedagogia intransigente e irracional. O mau professor é um professor mal formado para o ambiente escolar. O professor intolerante é, em geral, implacável. O professor se torna austero na medida que, no ambiente escolar, se torna rígido, de caráter severo, capaz de ser duro em situações que deve ser tolerante como, por exemplo, nas correções das avaliações escolares ou decorrer de suas aulas expositivas. Os maus professores desconhecem que, mesmo nas aulas expositivas, há lugar para o perguntar e para o diálogo permanente.

No lugar da ponderação, o mau professor apresenta um tom austero. A voz dos professores intolerantes também é austera. Muitos se vestem de cores escuras para não dissimular seu comportamento radicalmente sóbrio e seu olhar sombrio sobre a tarefa de instruir. Desde cedo, os alunos descobrem nos professores amargos o primeiro sinal de uma pedagogia da intolerância. Quando embargam a voz, não é sinal de emoção, mas de repressão que logo se lançará, como flecha, num alvo certo: os alunos.

O professor severo, no âmbito do ensino, tem apenas uma visão do certo e do errado, nunca relativiza uma resposta ou posição. Os professores severos são graves, circunspectos, sérios, e trazem marcas visíveis nos olhos, nos trejeitos da boca, seu olhar é menos manifesto do que sua face severa.

O professor severo é inflexível e suas palavras são as mais duras que os alunos escutarão no decorrer de suas vidas. Suas aulas não são ministradas, mas executadas, com pontualidade e exatidão que lembram mais máquinas, tiranas ou servas do tempo, não levando em conta que todo magistério tem por fim a formação de seres vivos e humanos e que o tempo de aula é tempo de se olhar contemplativamente sobre de tempo de viver.

O professor severo pode ser elegante, mas sua presença não traz prazer e sim medo. O professor severo é bem definido e acentua sua ideologia de ser. Por isso, os professores intolerantes, em sala, são as maiores vítimas da cola e dos desvios morais e éticos dos alunos.

Os professores definitivamente severos são estreitos no jeito de estar e bitolados na forma de ser. Os maus professores se orgulham e dizem: sou rígido, não me vergo, sou rijo, resisto às pressões da realidade objetiva, mas, no meu primeiro instante, quando se deparam com a realidade subjetiva, com a supremacia das pessoas sobre as coisas, se rendem à guisa dos covardes e acanhados por indolência e medo.

O mais grave é que muitos professores e diretores de escolas, públicas e privadas, ainda não tomaram consciência de que a sociedade escolheu a escola para ministrar o ensino com base nos princípio do pluralismo de idéias, de concepções pedagógicas, de respeito à liberdade e, principalmente, de apreço à tolerância.

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11/11/2017

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