COMO LER UM ARTIGO CIENTÍFICO E ENTENDER TUDO DE VERDADE?

COMO LER UM ARTIGO CIENTÍFICO E ENTENDER TUDO DE VERDADE?

Parabéns! Você passou no vestibular e finalmente deixou para trás aquela vida de colégio/cursinho, apostilas, simulados e não vê a hora de curtir tudo o que a faculdade tem a oferecer.

– Estamos aqui pela festa.

Mas calma lá: se os milhares de exercícios de múltipla escolha são coisa do passado, a realidade acadêmica pode ser ainda mais desafiadora.

Tenha você escolhido engenharia, filosofia ou veterinária, a quantidade de artigos acadêmicos, geralmente escritos numa linguagem difícil, rebuscada e com palavras que você nunca ouviu falar vai ser cada vez maior na sua nova rotina – principalmente se você pegar gosto pela vida acadêmica e resolver emendar uma pós-graduação/mestrado/doutorado…

Para acalmar os corações e mentes dos futuros cientistas desse mundão, a Science publicou em seu site o artigo “Como ler (de verdade!) um artigo científico” (em tradução livre), que traz dicas de renomados(as) pesquisadores(as) de diferentes instituições e áreas do conhecimento sobre como eles lidam com as dificuldades na hora de ler e compreender um artigo acadêmico e, claro, como aplicam esse conhecimento no seu dia-a-dia.

Selecionamos as principais dicas e já começamos com uma extra: domine a língua inglesa! Isso é meio que regra básica para compreender a maioria dos artigos científicos. Agora sim, vamos aos conselhos dos cientistas:

Dica 1: Resumo, Introdução e Conclusão, necessariamente nessa ordem

“Primeiramente, eu pego a ideia geral lendo o resumo e as conclusões. As conclusões me ajudam a entender se as metas propostas no resumo foram alcançadas e se o trabalho descrito pode ser interessante para os meus próprios estudos.” – Cecilia Tubiana, cientista do Max Plack Institute for Solar System Research em Göttingen, Alemanha.

“Eu começo lendo o resumo. Depois, passo o olho pela introdução e folheio o artigo para olhar as figuras. Eu tento identificar um ou duas que mais se destacam e eu faço questão de realmente entender o que elas querem dizer. Depois, eu leio a conclusão/sumário. Só quando eu tiver feito tudo isso eu volto aos detalhes técnicos para elucidar quaisquer dúvidas que eu possa ter.” – Jesse Shanahan, concorrente ao mestrado em astronomia na Wesleyan University em Middletown, Connecticut (EUA).

“Como editora-chefe da Science, eu tenho que ler e compreender artigos fora da minha área de conhecimento o tempo todo. Geralmente, eu começo com os sumários de editores correspondentes, que são para pessoas como eu: uma generalista em ciência que está interessada em tudo, mas mergulha profundamente apenas em uma área.

Em seguida, eu vejo se alguém escreveu alguma notícia jornalística sobre o artigo. Em terceiro lugar, procuro se há uma perspectiva de outro cientista sobre o assunto. […] autores geralmente fazem um ótimo trabalho ao extrair a essência do artigo para não especialistas. […] Então eu ataco o resumo, que foi escrito para comunicar aos leitores de maneira abrangente.

Finalmente, eu avanço para o artigo propriamente dito e leio, nesta ordem, a introdução, as conclusões, examino as imagens e, então, o artigo todo.” – Marcia K. McNutt, Editora-chefe da Science journals.

Dica 2: Figuras, quadros, tabelas, gráficos… olho atento às imagens!

“Se eu estou priorizando apenas os pontos principais, vou ler o resumo, pular para as imagens e examinar o desenvolvimento para ideias importantes. Eu acredito que as imagens são a parte mais importante do artigo, porque o resumo e o corpo podem ser manipulados e moldados para contar uma história comovente.” – Jeremy C.Borniger, concorrente ao doutorado em neurociência na Ohio State University, Columbus (EUA).

“Ultimamente, eu tenho tido que ler um bom número de artigos de fora da minha área de especialização com muitos jargões não familiares. Em alguns casos, eu consigo extrair que eu preciso diretamente da parte de resultados ou das imagens e quadros. Em outros casos, eu uso as buscas do Google para definir termos e conceitos no artigo ou leio as referências citadas para compreender melhor os pontos de vista propostos.” – Charles W. Fox, professor do Departamento de Entomologia na University of Kentucky em Lexington (EUA).

Dica 3: Minha pesquisa, minhas regras: desenvolva suas próprias estratégias

“É importante entender que atalhos devem ser tomados ao ler artigos para que haja tempo hábil para se fazer o restante do trabalho, o que inclui escrever, conduzir pesquisas, ir a reuniões, dar aulas e corrigir artigos. Quando eu estudava para o PhD, costumava ler as conclusões e métodos dos artigos de jornais acadêmicos e capítulos em vez de livros inteiros.” – Rima Wilkes, professora do Departamento de Sociologia da University of British Columbia, Vancouver (Canadá).

“Minha estratégia de leitura depende do artigo. […] Se for diretamente aplicável ao que eu estou estudando atualmente, eu leio o artigo atentamente, […] sempre tento descobrir se há partes ou imagens que eu particularmente preciso prestar mais atenção e então eu leio informações relacionadas nos resultados do experimento e na discussão sobre o argumento proposto. […] Também dou uma olhada se há referências nas quais eu possa estar interessado. Algumas vezes eu fico curioso em ver quem da área foi – ou mesmo quem não foi – citado, para ver quais autores escolhem ignorar certos aspectos daquela pesquisa.” – Gary McDowell, pós-doutorando em biologia evolucionária na Tufts University em Medford, Massachusetts (EUA), e acadêmico convidado do Boston College.

– A arte da estratégia militar

“Quando eu leio artigos, me ajuda ter uma tarefa escrita para ser uma leitora ativa em vez de deixar meus olhos divagarem sobre montanhas de texto apenas para esquecer tudo o que eu acabei de ler. Por exemplo, quando eu leio informações prévias, eu guardo frases informativas de cada artigo sobre assuntos específicos num documento de Word. Ao longo da leitura, escrevo comentário sobre novas ideias que eu tive ou questões que eu preciso explorar mais. Depois, no futuro, eu só preciso ler esse documento em vez de reler todos os artigos individualmente.” – Lina A. Colucci, concorrente ao doutorado na Harvard-MIT Health Sciences and Technology program.

“O que eu escolho ler é baseado na relação com as minhas áreas de pesquisa e coisas que estão gerando muito interesse e discussão porque estão levando a maneira como se faz psicologia, ou mesmo ciência de modo geral, a novos caminhos. O que eu tento tirar desses artigos são questões de metodologia, design experimental e análise estatística. Para mim, a seção mais importante é, primeiramente, o que os autores fizeram (métodos) e, em segundo lugar, o que eles descobriram (resultados).” – Brian Nosek, professor do Departamento de Psicologia na University of Virginia e diretor-executivo do Center for Open Science em Charlottesville (EUA).

Dica 4: Não tá entendendo p*#$% nenhuma? Mantenha a calma!

[Não entender o artigo acontece] o tempo todo. Se o artigo é relevante para um problema que eu estou tentando resolver, pode estar certo de que vai haver partes estratégicas que eu não entendo. Essa confusão não é uma ameaça; é uma oportunidade. Eu sou ignorante; eu preciso me tornar menos ignorante. E esse artigo pode me ajudar.” – Nosek

“Nesses casos você tem que entender que alguns artigos são o resultado de anos de trabalho de dúzias de cientistas. Esperar digerir e entender tudo que está nele em apenas uma tarde é uma ideia irrealista.” – Borniger

“Quando isso acontece, eu divido em partes e vou lendo ao longo de alguns dias, se possível. Para artigos realmente difíceis, também ajuda sentar e trabalhar nele junto de um colega.” – Shanahan

“Eu geralmente não tento entender todos os detalhes de todas as seções na primeira vez que eu leio um artigo. Se as partes incompreensíveis parecem ser importantes para minha pesquisa, eu tento perguntar a colegas ou mesmo contatar o autor diretamente. Voltar às referências originais para pegar o histórico de toda informação é o último recurso, porque o tempo pode ser limitado e colaborações e contatos pessoais podem ser muito mais eficientes em resolver problemas específicos.” – Tubiana

Dica 5: Tá liberado ser o mais cara-de-pau possível

“Seja paciente. Não tenha medo nem se envergonhe de usar a Wikipedia ou outras fontes para audiências leigas, como posts em blogs, para ter uma ideia do seu tópico. Faça muitas, muitas perguntas. Se você não conseguir ter um entendimento claro do artigo, fale com pessoas do seu círculo de amigos e colegas da área. Se você ainda estiver confuso e for muito importante entender os conceitos, envie um e-mail para os autores”. – Boehnke

“Não hesite em falar com cientistas mais experientes. Você faz um favor a ELES em fazê-los explicar para você em termos que você entenda o que um artigo complexo significa. Todos os cientistas precisam de mais experiência em traduzir conceitos complexos em termos comuns.” – McNutt

“Além disso, tenha um bom gerenciador de referências. O Mendeley¹ me ajuda a fazer minhas pesquisas, ler a literatura e escrever artigos.” – Colucci

¹[Nota do Redator]: Para os acadêmicos brasileiros é importante sempre manter o currículo atualizado na Plataforma Lattes, que também serve como um importante gerenciador de referências.

Fonte: Almanaque SOS

08/06/2018

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