A ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO

A ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO

É natural que uma pessoa que entra em uma escola e mata vários alunos antes de ser abatido por um policial tenha sua imagem linchada publicamente.

Tristeza, raiva e revolta imperam nesses momentos e qualquer tentativa de compreender os “motivos” que ocasionaram o episódio é abafada por vozes dominadas pela emoção. “Queria ver se fosse com você!”, “Não tem justificativa para isso!” e outras tantas frases ditas com tom de acusação sugerem que a tentativa de analisar à fundo tais tragédias implicam uma certa conivência, no mínimo uma falta de sensibilidade, da parte de quem busca uma visão mais ampla. Com o tempo, o tal “calor do momento” começa a passar e ceder espaço para visões mais conscientes do ocorrido. O que eu estou falando não vale apenas para a tragédia do Realengo; anacronismos a parte, um povo costuma refletir melhor sobre os acontecimentos de sua história quando está separado dos mesmos pela barreira do tempo.

O documentário A Arquitetura da Destruição não justifica a existência do nazismo e não defende as ações de Hitler e do Terceiro Reich. O que o diretor Peter Cohen faz é auxiliar o espectador a compreender como foi formado o contexto onde a ideologia nazista proliferou e, principalmente, entender o raciocínio que norteou os alemães em sua guerra contra os judeus e contra a Europa.

Cohen argumenta que o nazismo é uma ideologia ligada intrinsecamente a estética. Hitler, que antes de despontar para a vida pública havia tentado a vida como pintor e arquiteto, é mostrado como um amante das artes, uma pessoa cuja paixão pelas obras do Império Romano e do Renascimento foram traduzidas em políticas sociais que buscavam a perfeição racial como uma condição indispensável para a sobrevivência de um povo. O que começa com a simples negação da cultura bolchevique e judia culmina em planos elaborados para exterminar todos os judeus da face da terra.

Há muito da teoria de Nietzsche e seu O Anticristo no discurso anti semita de Hitler. Assim como o filósofo, o Fuhrer alemão considera que os judeus são uma praga que adoece e enfraquece o Estado alemão. Os argumentos nazistas para sustentar a investida contra os judeus são dúbios. Em determinado momento do documentário, é mostrado uma propaganda nazista que associava obras de arte influenciadas pelo cubismo feitas por judeus como um sinal de que eles deformavam a sociedade e a vida, como se o estilo atestasse incapacidade e deficiência mental.

Além de fugir do tradicional sentimentalismo dos filmes que trabalham com o Holocausto e reunir uma série de imagens valiosas sobre o regime alemão, Arquitetura da Destruição é muito elucidativo sobre o nazismo para, obrigatório para quem interessa-se pelo tema. Compreender ajuda a evitar, não a absolver.

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05/12/2017

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